segunda-feira, 27 de maio de 2013

6 segredos do bom café coado

6 segredos do bom café coado

As dicas capitais para um café perfeito, de acordo com Isabela Raposeiras, do Coffee Lab

Stock.xchng
Xícara de café
Xícara de café: uma dica é tomá-lo imediatamente depois de pronto, do jeito que mais gostar
São Paulo - O reinado do café espresso já não é uma realidade tão concreta assim. Existe, na contramão, quem lute pela tradição – sem falar em sabor e nos aromas – do bom e velho café coado. Isabela Raposeiras, empresária e barista do Coffee Lab, é possivelmente a mais reconhecida por levantar essa bandeira em terras brasileiras.
Por sua vez, o público paulistano parece ter gostado da ideia. A aposta em fazer com que o cliente aprenda sobre os grãos, preparo e harmonização deu certo. Estima-se que sejam servidas 500 bebidas por dia na casa localizada na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.
À Alfa, Isabela enviou seis dicas capitais para você preparar o café perfeito nesta última sexta-feira (24), quando foi comemorado o Dia Nacional do Café. Então, vamos à aula:
• O grão deve ser moído somente na hora de fazer o café. O produto que já vem moído é o resultado da sobra da seleção dos melhores grãos. Para mascarar os problemas existentes, passa por um processo de carbonização. Tem sabor amargo e um aroma completamente prejudicado. Além disso, a vida útil do café moído é de 20 minutos. Passado este tempo, ele está morto;
• Na hora de comprar o café, olhe sempre no rótulo e escolha grãos 100% arábica, de categorias Gourmet ou Especial. Se o nome da fazenda estiver na embalagem, é mais um sinal de alta qualidade;
• A água utilizada para fazer o café interfere bastante na qualidade da bebida. O ideal é que ela seja mineral ou filtrada, pois o cloro destrói os elementos aromáticos do café. Portanto, ela jamais deve ser utilizada diretamente da torneira;
• A temperatura ideal da água é de 93 a 98 graus. Para chegar a esta faixa, desligue o fogo assim que a água começar a borbulhar. Mas deixe ferver, pois se a água estiver mais fria do que deveria, vai impedir que vários sólidos presentes sejam dissolvidos;
• Tome o café imediatamente depois de pronto, do jeito que mais gostar;
• Ao fazer um café coado manualmente ou em cafeteira, para tirar resquícios de gosto do filtro, é uma boa ideia escaldar o papel ou o filtro com água fervente. Você despeja a água quente e descarta. Depois, coloque o café e coe normalmente.

sábado, 25 de maio de 2013

Café do Brasil

Café do Brasil

Graças ao estado capixaba, o Brasil é o segundo maior produtor de café robusta do mundo, perdendo somente para o Vietnã. Devido às suas regiões baixas e temperatura elevada, este tipo de cultura se consolidou no Espírito Santo desde o fim da década de 1920. Atualmente, o estado é responsável por 65% da produção nacional de conilon.
No passado, a maioria dos agricultores que plantava café arábica tinha medo que suas lavouras fossem substituídas pelo robusta, pois seus custos de produção são bem menores e atingem altos índices de produtividade. O Brasil como participante da Organização Internacional do Café (AIC) também tinha ressalvas quanto à inclusão deste tipo de cultura. A grande preocupação era promover uma divisão das cotas brasileiras entre arábica e robusta e, conseqüentemente, gerar diminuição na receita cambial do país. Isto fez com que os produtores interessados no plantio de robusta arcassem sozinhos com a inclusão e desenvolvimento das novas lavouras de conilon. Não houve qualquer tipo de auxílio financeiro do governo.
O sucesso de tanto trabalho e dedicação não seria possível sem algum tipo de organização. A criação do Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (INCAPER) e do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (CETCAF) são exemplos claros e atuais da preocupação em garantir qualidade e apoio aos produtores. A Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (COOABRIEL) fornece um material super rico sobre a história e implementação da cafeicultura no Espírito Santo. Se você quer mais detalhes, confira aqui.
Tanta coragem e perseverança deram ao estado o título de segundo maior produtor de robusta do mundo. Parabéns aos agricultores capixabas visionários. A eles, todo meu respeito!
Café do Espírito Santo (Robusta)
Robusta (73%)
Altitude média: 100 – 300 metros
Variedades de café mais cultivadas:
Canephora Conillonis
Sabor:
Apresenta características neutras
Algumas Cidades produtoras:
Nova Venecia, Sao Gabriel da Palha, Linhares, Colatina, Rio Bananal, São Mateus, Vila Valério, Aguia Branca
Algumas Fazendas da Região:
Produtor: Vagno Penitente
Local: Córrego Várzea Alegre – Vila Valério
Produtor: José Bento Brunatti
Local: Córrego Dourado – Vila Valério
Produtor: Luis Carlos e Marcos Aurélio Bachanelo (irmãos)
Propriedade: Sítio cachoeirinha
Local: Córrego da Prata – São Gabriel da Palha
Produtor: Paulo Oliari
Local: Alto Liberdade – Marilândia”
Rondônia deve muito para a cafeicultura! O início da colonização agrária atraiu muitas pessoas para morar no estado e se estabelecer por lá. Quem migrasse e investisse no desenvolvimento da região, ganharia a oficialização da ocupação temporária da área por meio de um título de posse. Foi mais ou menos assim que tudo começou. Atualmente, o estado é o segundo maior produtor de café robusta do Brasil, com uma produção de aproximadamente 165 mil hectares.
De modo geral, o cultivo do café conillon em Rondônia é feito em pequenas áreas e contam com grande aproveitamento de mão-de-obra familiar. A maior parte dos frutos de seus pés de café é seca em terreiro e seu crescimento não é muito uniforme. Infelizmente, a infra-estrutura precária e o baixo nível tecnológico facilitam o surgimento de grande quantidade de grãos defeituosos.
O clima da região é quente, úmido e conta com a estação de seca bem curta. A temperatura média anual varia de 24,6 °C a 25,6 °C e seus índices pluviométricos médios anuais superiores a 1.400 mm. Um dado interessante é que 90% da produção de Rondônia é de café robusta. Em Vilhena, entretanto, existem algumas plantações com a espécie arábica.

CAFÉ

CAFÉ

Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que suas carneiros ficavam mais espertas ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.[7]
Parece que as tribos africanas, que conheciam o café desde a Antiguidade, moíam seusgrãos e faziam uma pasta utilizada para alimentar aos animais e aumentar as forças dos guerreiros. Seu cultivo se estendeu primeiro na Arábia,introduzido provavelmente por prisioneiros de guerra, onde se popularizou aproveitando a lei seca por parte do Islã. OIêmen foi um centro de cultivo importante, de onde se propagou pelo resto do Mundo Árabe.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no século XVI o café era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia.[8]
Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue (ou ainda qah'wa, do original em árabe قهوة). Enquanto na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original também era "vinho". A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.
O café no entanto teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores maometanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.

[editar] Na Ásia e África

Em 1475 surge em Constantinopla a primeira loja de café, produto que para se espalhar pelo mundo se beneficiou, primeiro, da expansão do Islamismo e, em uma segunda fase, do desenvolvimento dos negócios proporcionado pelos descobrimentos.[9]
Café na Palestina em 1900. Imagem estereoscópica de Keystone View Company.
Por volta de 1570, o café foi introduzido em VenezaItália, mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos e somente foi liberada após o papa Clemente VIIIprovar o café.
Na Inglaterra, em 1652, foi aberta a primeira casa de café da Europa ocidental, seguindo-se a Itália dois anos depois. Em 1672 cabe a Paris inaugurar a sua primeira casa de café. Foi precisamente na França que, pela primeira vez, se adicionou açúcar ao café, o que aconteceu durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafeeiro em 1713.
Na sua peregrinação pelo mundo o café chegou a Java, alcançando posteriormente osPaíses Baixos e, graças ao dinamismo do comércio marítimo holandês executado pelaCompanhia das Índias Ocidentais, o café foi introduzido no Novo Mundo, espalhando-se nasGuianasMartinicaSão DomingosPorto Rico e CubaGabriel Mathien de Clieu, oficial francês, foi quem trouxe para a América os primeiros grãos.
Ingleses e portugueses tentaram a sua sorte nas zonas tropicais da Ásia e da África.

Lavouras de café no Brasil

Fazenda típica de café, vista do terreiro de secagem do café ao fundo instalações - Avaré.
Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial. Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.
Das primeiras plantações na Região Norte, mais especificamente em Belém, as mudas foram usadas para plantios no Maranhão e na Bahia, na Região Nordeste.[10]
As condições climáticas não eram as melhores nessa primeira escolha e, entre 1800 e1850, tentou-se o cultivo noutras regiões: o desembargador João Alberto Castelo Brancotrouxe mudas do Pará para a Região Sudeste e as cultivou no Rio de Janeiro, depois São Paulo e Minas Gerais, locais onde o sucesso foi total. O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil e de divisas externas durante muitas décadas a partir da década de 1850.
Plantação próxima da cidade de São João do Manhuaçu - Minas Gerais - Brasil.
O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café-com-leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.
O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.

 O fim do tráfico e seus efeitos

O tráfico negreiro era um dos negócios mais lucrativos da economia brasileira e movimentava muito dinheiro. Com sua proibição, os capitais antes aplicados na compra de escravos foram deslocados para outras atividades. Ocorreu assim um incremento das indústrias, das ferrovias, dos telégrafos e da navegação. Junto com o café, o fim do tráfico proporcionou o início da modernização brasileira.[11]
Reagindo aos efeitos da extinção do tráfico negreiro, os cafeicultores recorreram ao tráfico interprovincial e desenvolveram uma política de atração de imigrantes europeus para suas lavouras. As lavouras decadentes da cana-de-açúcar no Nordeste ampliaram a venda de escravos para as lavouras do Centro-Sul, que se transformaram na principal região escravista do país. Porém, o trabalho dos imigrantes só ganharia peso na década de 1880, quando os cafeicultores já não conseguiam segurar os escravos nas fazendas, devido à força da campanha abolicionista.

 O Café e a geada

O café foi plantado oeste do estado de São Paulo, nos lugares mais altos, os espigões, divisores das bacias dos rios que desembocam no rio Paraná, lugares menos propensos àgeadas que as baixadas dos rios. Nestes espigões foram também construídas as ferrovias e as cidades do Oeste de São Paulo, longe da malária que era comum nas proximidades dos rios. O café em São Paulo sofreu sobremaneira com a "grande geada de 1918" e a geada de18 de julho de 1975, que atingiu também o norte do estado do Paraná, dizimando todos os cafezais das regiões de Londrina e Maringá.[12]

A Valorização do Café

O mais conhecido convênio de estados cafeeiros para obter financiamento externo para estocagem de café em armazéns a fim de diminuir a oferta externa e conseguir preços mais elevados para o mesmo foi o Convênio de Taubaté de 1906. O pressuposto da retenção de estoques de café era a crença de que depois de uma safra boa, seguiria-se uma safra ruim, durante a qual o café estocado no ano anterior seria exportado. A partir da década de 1920, a valorização do café tornou-se permanente, aumentado muito o volume estocado, fazendo os preços se elevarem, atraindo com isso novos países produtores ao mercado fazendo concorrência ao Brasil. Com a crise de 1929, a partir do governo de Getúlio Vargas, todo os estoques de café tiveram que ser queimados para os preços não subirem. A escolha foi feita de modo a manter o café como um produto destinado às elites. Ou seja, o governo preferiu queimar o café à vendê-lo por um preço mais baixo, o que o tornaria acessível a qualquer cidadão da época. Foram queimados de 1931 a 1943, 72 milhões de sacas, equivalentes a 4 safras boas. A partir de 1944, a oferta de café passou a ser regulada por convênios entre países produtores.[13][14]

Atualmente, o Café é considerado "a bebida do sistema capitalista", devido às propriedades que a cafeína confere aos seus usuários, levando-os a obterem melhor rendimento e produtividade no meio profissional.[carece de fontes]

[editar] Na Europa

Café Nicola, em Lisboa
Os estabelecimentos comerciais na Europa consolidaram o uso da bebida do café, e diversas casas de café ficaram mundialmente conhecidas, como o Café Nicola, em Lisboa, onde se encontravam políticos e escritores, sendo de realçar o poeta Bocage, o Virgínia Coffee House, em Londres, e o Café de La Régence em Paris, onde se reuniam nomes famosos como RousseauVoltaireRichelieu e Diderot.
O invento da cafeteira, já em finais do século XVIII, por parte do conde de Rumford, deu um grande impulso à proliferação da bebida, ajudada ainda por uma outra cafeteira de 1802, esta da autoria do francês Descroisilles, onde dois recipientes eram separados por um filtro.
Em 1822 uma outra invenção surge em França, a máquina de café expresso, embora ainda não passasse de um protótipo. Em 1855 é apresentada em uma exposição, em Paris, uma máquina mais desenvolvida, mas foi em Itália que a aperfeiçoaram.
Assim, coube aos italianos, apenas em 1905, comercializar a primeira máquina de expresso, precisamente no mesmo ano em que foi inventado um processo que permitia descafeinar o café. Em 1945, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, a Itália continua tendo a primazia sobre os expressos e Giovanni Gaggia apresenta uma máquina onde aágua passa pelo café depois de pressionada por uma bomba de pistão. O sucesso foi notório.[15]

[editar] A Crise de 1929

Distribuição geográfica dos diferentes cultivos (r: robusta, m: robusta e arábica e a: arábica).
Com a "quebra" da Bolsa de Valores americana em 1929, o Brasil teve a primeira grande crise de superprodução do café, tendo que o governo brasileiro promover a queima de estoques para tentar segurar os preços. Nos finais da década de 1930, o Brasil tinha-se visto a braços com outro excedente de produção que foi resolvido com ajuda da Nestlé, quando esta inventou o café instantâneo.[16]
Superada mais essa crise, o Brasil continuou a ser o maior produtor mundial de café, embora nos últimos anos tenha de concorrer com outros países da América Latina.
O café é, atualmente, a bebida artificial mais consumida no mundo, sendo servidas cerca de 400 bilhões de xícaras por ano. O tipo de café mais comum é o arábica, ocupando cerca de três quartos da produção mundial, seguido do robusta, que tem o dobro da cafeína contida no primeiro.

 O café e a saúde

A maioria das pessoas que consomem café diariamente desconhece as substâncias saudáveis e os seus efeitos terapêuticos:
cafeína chega às células do corpo em menos de 20 minutos após a ingestão do café. No cérebro, a cafeína aumenta a influência do neurotransmissor dopamina.
Entre os malefícios causados pelo consumo excessivo de café podemos listar:
  • Ação diurética compulsivo causadora de perda de minerais e oligoelementos, aminoácidos e vitaminas essenciais.
  • Causa enfraquecimento do organismo através da perda de sódio, potássio, cálcio, zinco, magnésio, vitaminas A e C, bem como do complexo B.
  • Possui relação direta com a doença fibroquística (eventualmente precursora do “câncer da mama”).
  • Pode causar o aparecimento de polipos (primeiro estágio do câncer no aparelho digestivo), verrugas, psoríases e outras afecções dermatológicas.
  • Reduz a taxa de oxigenação dos neurônios.
  • Provoca uma maior secreção de ácido clorídrico, causando irritações nas mucosas intestinais que causam colites e ulcerações, principalmente para quem sofre de gastrite.
  • Sua ação é acidificante do sangue, propiciando o surgimento de leucorreias, cistites, colibaciloses e variados acessos fúngicos.

O café no Brasil e suas origens

O café no Brasil e suas origens


O café no Brasil e suas origens



O cafezeiro – antiga denominação para o que chamamos hoje de cafeeiro – é uma planta natural das estepes da Etiópia. Seu fruto, tal como o guaraná para os índios do Brasil, era aproveitado por estes povos africanos a muitos séculos na confecção de bebidas. Da África seu uso passou aos persas, destes aos árabes que o divulgaram a partir do século XV como um grande estimulante. Assim suas sementes se espalharam por todo o mundo islâmico. Com o comércio com os árabes, o café chega a Constantinopla e logo em seguida a Europa, assim, resumidamente, o café ganhou o gosto de milhares de pessoas do Oriente a Europa. 

O consumo do café popularizou-se muito na Europa durante o século XVII, onde toda a produção vinha da Arábia em pequenas escalas. Sendo então a cultura do café muito lucrativa, ela se estendeu por todos os cantos do globo, onde pudesse aclimatar-se, mas a procura do café era muito maior do que a produção, gerando falta do produto no mercado. 

Na América do Sul a planta chegou pelas mãos dos franceses quando tentavam colonizar o Novo Mundo. Na tentativa de fincar raízes neste continente é que foram trazidas as primeiras mudas de café para o Brasil – por brasileiros em contato com os franceses – em 1727, plantando-as em Belém do Pará. Quase que de mãos em mãos as sementes do café foram “descendo” a costa do litoral brasileiro, sendo experimentado em diversas províncias (depois Estados) brasileiras até chegar na década de 1770 ao Rio de Janeiro, sendo nesta cidade onde a planta encontrou incrível adaptação. 


Mas os agricultores brasileiros, ocupados em cultivar a cana-de-açúcar, ainda o produto agrícola de maior renda na economia do Brasil, estavam pouco ou nada interessados em plantar uma nova cultura. Assim sendo, no início de sua introdução o café obteve pouco apelo entre os brasileiros, pois a maioria dos senhores de engenho estavam ocupados em produzir uma cultura comercial, a cana-de-açúcar. Mas não é difícil de compreender porque a cultura do café substituiu a cultura da cana-de-açúcar nas grandes propriedades no Brasil. Em primeiro lugar, a demanda mundial de café era muito maior do que a do açúcar e só aumentava. Segundo, o café exigia menos mão-de-obra, pois a cana tinha que ser replantada (lembrando-se que não existia qualquer maquinário agrícola senão a enxada, a foice e a pá nas lavouras do Brasil exceto raras exceções ), e o café poderia durar entre 30 a 40 anos em produção. 


Mesmo com a crise da indústria açucareira, a lavoura do café encontrou resistência a sua implantação na economia brasileira até a década de 1820, substituindo a partir daí a hegemonia da atividade econômica da cana na economia nacional. Depois de 1820 o café vai ocupando o lugar da cana-de-açúcar e de outras formas de cultivos no Rio de Janeiro e em São Paulo, servindo-se da base da estrutura agrícola deixada por estas e outras culturas. Neste sentido, a cultura do café de 1820 a 1870, atinge o auge de sua produção na região conhecida como Vale do Paraíba, contemplando as Províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo (com destaque as cidades de Valença, Pindamonhangaba, Itú, Vassouras, etc.). 

A cultura do café exigia grandes espaços de terras e mão-de-obra (escrava), neste sentido, o aumento da produção de café estava ligado ao crescimento da entrada de escravos, que alcançou o auge em 1848, dois anos antes da Lei Eusébio de Queiroz (1850) que proibia o tráfico de escravos, quando desembarcaram no Brasil 60.000 cativos africanos. Além disso, o café exigia grandes áreas de terras devido a falta de cuidados no campo, pois não existia a preocupação e a tecnologia necessária aos cuidados com a terra. Sendo assim, o cultivo do café se tornou uma cultura itinerante que se completava com a exaustão dos solos, seguido de novas derrubadas de matas e novos plantios de café, surgindo dai a expressão utilizada por Monteiro Lobato: “a marcha do café”, que invadia os solos paulistas e cariocas. 

Devido a estas características do seu cultivo, o café a partir de 1870, com o encarecimento do preço dos escravos, com a erosão dos solos, e a exploração sem cuidados esgotaram as terras do Vale do Paraíba. As plantações de café, a partir de Itú e Campinas, passaram então a se expandir para a região conhecida como Oeste Paulista, onde se situam as cidades de Limeira, Piracicaba, Rio Claro, Araras, Ribeirão Preto. No final do século XIX, no Oeste Paulista, produzia-se o melhor e a maior quantidade de café para exportação do Brasil, nas plantações de terra roxa (nome derivado de rossa, vermelha em italiano), ideal para o cultivo da planta.